SAÚDE DE CIANORTE SOB ALERTA: MÉDICOS RELATAM PAGAMENTOS ATRASADOS, REMUNERAÇÃO DEFASADA E RISCO DE DEIXAR A REDE PÚBLICA
Relato obtido pelo Portal BSB2 expõe a insatisfação de especialistas, questionamentos sobre os valores pagos pelas consultas e o temor de uma redução na oferta de atendimento. A situação levanta uma pergunta urgente: quem atenderá os pacientes de Cianorte se os médicos decidirem trabalhar em outras cidades?
Por Marcio Nolasco | Analista de Políticas Públicas | Portal BSB2.com.br
A saúde pública de Cianorte enfrenta novos questionamentos. Desta vez, o alerta não parte apenas dos pacientes que aguardam consultas e procedimentos especializados, mas de informações sobre a crescente insatisfação dos próprios profissionais responsáveis pelo atendimento.
Uma transcrição de conversa encaminhada ao Portal BSB2 apresenta um cenário preocupante: médicos buscando interlocução para discutir remuneração, relatos de atrasos nos pagamentos, ausência de reajustes periódicos e possíveis alterações nos valores pagos por serviços especializados.
O conteúdo também aponta para um risco que merece atenção imediata: a possibilidade de Cianorte perder profissionais qualificados para municípios que ofereçam condições financeiras e contratuais mais atrativas.
As informações são provenientes de um relato ainda sujeito à confirmação documental e ao contraditório dos envolvidos. Entretanto, a gravidade das questões apresentadas justifica esclarecimentos públicos por parte da Secretaria Municipal de Saúde, da Prefeitura e do Consórcio Público Intermunicipal do Centro Noroeste do Paraná (CICENOP).

Uma conversa que revela a dimensão da insatisfação
Um dos trechos mais significativos da transcrição demonstra a quantidade de profissionais que estariam procurando uma solução para as condições de trabalho.
"Os médicos estão todos revoltados... Todos querem respostas e o Cicenop e a Secretaria de saúde "nada resolve", falar com os responsáveis é quase um milagre".
A declaração indica que as reclamações podem ultrapassar casos individuais e representar uma insatisfação mais ampla entre prestadores de serviços especializados.
O interlocutor menciona profissionais que atuariam na rede e relata dificuldades para apresentar respostas concretas às suas reivindicações.
Mais preocupante é o sentimento de impotência manifestado na conversa.
Segundo o relato, mesmo diante das cobranças dos médicos,
A questão central deixa de ser apenas uma negociação financeira e passa a envolver a capacidade do poder público de manter uma rede estável de atendimento.
Consultas de R$ 46 passaram para R$ 52 — e reajustes prometidos não teriam ocorrido
Um dos pontos centrais da conversa diz respeito à remuneração dos médicos especialistas.
Segundo o interlocutor, o último reajuste teria ocorrido muito tempo atrás pela Secretaria Municipal de Saúde.
Naquela ocasião, o valor de determinada consulta teria passado de R$ 46,00 para R$ 52,00. Hoje o Cicenop paga R$ 52,00 e algumas especialidades pagam R$ 80,00 - Estas mesmas especilidades em Campo Mourão estariam pagando R$ 136,00. Em Maringá até R$ 180,00 em algumas especialidades que em Cianorte se paga R$ 100,00. A hemodiálise aqui em Cianorte é R$ 100,00 há anos e agora tem a promessa de ir pra R$ 148,00 em Maringá se paga R$ 180,00
O relato também afirma que teria existido um entendimento com o prefeito Marco Franzato para a concessão de reajustes anuais pela inflação, mas que esses reajustes não teriam sido efetivados.
Os valores e a existência desse compromisso ainda precisam ser confrontados com contratos, resoluções e documentos administrativos.
O questionamento é relevante: se os custos da atividade médica aumentam ao longo dos anos, como preservar a oferta de consultas especializadas sem revisar periodicamente a remuneração dos prestadores?
Não se trata de defender reajustes indiscriminados com recursos públicos. Trata-se de exigir critérios técnicos, transparência na formação dos preços, previsibilidade contratual e planejamento que garanta a continuidade da assistência.
Consórcio teria comunicado mudanças que podem reduzir pagamentos
Outro trecho da transcrição menciona um e-mail supostamente enviado pelo consórcio de saúde aos prestadores.
Conforme o relato, a comunicação anunciaria a retirada de determinados pagamentos realizados aos profissionais.
O interlocutor interpreta essas possíveis alterações como uma medida capaz de tornar a prestação dos serviços ainda menos atrativa.
O Portal BSB2 identificou que o CICENOP utiliza tabelas de valores e procedimentos para orientar o credenciamento de serviços médicos. A Resolução nº 070/2024 estabelece valores para consultas e procedimentos, permitindo alterações mediante resolução específica. Contratações publicadas em 2026 também fazem referência a essa tabela e às alterações posteriores.
Isso, porém, não confirma que os pagamentos mencionados na conversa tenham sido efetivamente reduzidos. É necessário conhecer o teor do e-mail, a justificativa administrativa e os eventuais atos que autorizariam mudanças.
A pergunta que precisa ser respondida é objetiva: o consórcio está adotando medidas que poderão provocar a saída de especialistas da rede de atendimento regional?
COMUNICADO ENVIADO PARA OS PROFISSIONAIS DE SAÚDE
COMUNICADO OFICIAL – CICENOP
Assunto: Higienização da Tabela de Procedimentos
Prezados profissionais e representantes das clínicas credenciadas,
O CICENOP informa que, a partir de novembro de 2026, terá início o processo de higienização da Tabela de Procedimentos do Consórcio, que compreenderá a revisão e a exclusão de determinados itens. Solicitamos a todos que fiquem atentos às atualizações e às orientações oficiais referentes aos procedimentos abrangidos por essa medida.
Em razão das exclusões previstas e considerando que as agendas de novembro já se encontram abertas, foi necessária a suspensão, ainda no mês de outubro, da emissão de guias para determinados procedimentos que serão excluídos da tabela.
Essa medida preventiva visa evitar inconsistências administrativas e financeiras, uma vez que, após a exclusão dos respectivos códigos da tabela, não será possível realizar o faturamento das guias correspondentes.
Dessa forma, solicitamos a colaboração de todos para que observem as orientações do Consórcio e evitem a emissão de guias para os procedimentos abrangidos pela revisão, prevenindo transtornos nos processos de agendamento, atendimento e faturamento.
Informamos, ainda, que a resolução correspondente será publicada em breve, com validade a partir de novembro de 2026, formalizando as alterações realizadas.
Agradecemos a compreensão, a parceria e a colaboração de todos, fundamentais para a organização e o aprimoramento contínuo dos serviços prestados pelo CICENOP.
Atenciosamente,
CICENOP
Consórcio Intermunicipal de Saúde
Profissionais estariam migrando para Maringá
A transcrição também apresenta relatos de médicos que estariam ampliando suas atividades profissionais em Maringá.
Entre as razões apontadas estão a diferença de remuneração, os possíveis atrasos nos pagamentos e a busca por maior estabilidade financeira.
Um dos exemplos menciona uma comparação entre pagamentos de R$ 100 e R$ 180 por período de trabalho, respectivamente em Cianorte e Maringá.
A comparação corresponde a uma diferença nominal de 80%, mas ainda depende da confirmação das condições contratuais, da duração dos períodos e da natureza exata dos serviços.
A conversa cita ainda especialistas da área de urologia, apontando que parte de sua disponibilidade profissional já estaria sendo direcionada a Maringá.
Não há, até o momento, comprovação suficiente para afirmar que os profissionais mencionados tenham rompido contratos ou decidido abandonar definitivamente os atendimentos em Cianorte.
Mas o risco merece ser investigado.
A saída de especialistas pode representar mais do que a perda de profissionais.
Pode significar menor oferta de consultas, aumento dos encaminhamentos, dificuldades para realizar procedimentos e maior pressão sobre as filas do SUS.
Cardiologia: o relato mais preocupante
Uma das afirmações mais graves aparece no encerramento da conversa:
"Hoje já não tem nenhum cardiologista de Cianorte que atende Cianorte. Tem que mandar tudo para fora."
Caso seja confirmada, essa situação exigirá esclarecimentos urgentes sobre a organização da assistência cardiológica municipal.
É importante diferenciar a ausência de cardiologistas locais credenciados de uma eventual inexistência de atendimento cardiológico pelo SUS. São situações distintas e que precisam ser verificadas junto à Secretaria de Saúde e ao CICENOP.
Ainda assim, a declaração levanta questões relevantes:
Qual o tempo médio de espera?
Quantos cardiologistas estão atualmente credenciados?
Onde são realizadas as consultas?
Quantos pacientes precisam se deslocar para outras cidades?
A cardiologia acompanha condições como hipertensão, insuficiência cardíaca, arritmias e doenças coronarianas. A dificuldade de acesso a essa especialidade pode comprometer diagnósticos, acompanhamento e tratamento oportunos.
Para o paciente, não importa qual órgão administrativo é responsável pelo contrato. O que importa é conseguir atendimento quando precisa.
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O problema pode ser maior: Cianorte corre o risco de ampliar suas filas?
A discussão sobre a remuneração dos especialistas não pode ser separada de uma realidade que o Portal BSB2 vem acompanhando: as reclamações sobre a demora no acesso a consultas, exames e procedimentos especializados.
Em reportagens anteriores, o portal já levantou questionamentos sobre as filas de neuropediatria, oftalmologia, cirurgias e outras especialidades e até o momento no obteve retorno do poder executivo, aliás uma pratica comum nessa administração é manter o silêncio...
A possibilidade de uma redução adicional na disponibilidade de médicos exige uma avaliação cuidadosa de seus efeitos sobre os pacientes.
Se uma especialidade já apresenta dificuldades de atendimento, a eventual saída de profissionais pode agravar o problema, especialmente quando não existe planejamento para substituí-los.
A administração pública precisa demonstrar que possui mecanismos de prevenção para evitar descontinuidade nos serviços.
Marco Franzato e a responsabilidade pela gestão do consórcio
Há um elemento institucional importante nessa discussão.
O prefeito de Cianorte, Marco Antonio Franzato, também consta como presidente do CICENOP, segundo o cadastro da Secretaria de Estado da Saúde do Paraná e documentos oficiais do próprio consórcio.
Essa dupla responsabilidade coloca o prefeito em uma posição central para prestar esclarecimentos sobre a política de remuneração médica, os critérios de credenciamento e a continuidade do atendimento especializado.
É necessário distinguir as competências da Prefeitura e as decisões tomadas pela estrutura administrativa do consórcio, que atende outros municípios da região.
Entretanto, essa separação não elimina a necessidade de transparência sobre as decisões e seus impactos em Cianorte.
A administração municipal e o CICENOP precisam esclarecer se existe um plano para preservar os profissionais atualmente credenciados, atrair novos especialistas e evitar que os pacientes sejam prejudicados por dificuldades contratuais.
Quadro demonstrativo: o que a denúncia revela e o que precisa ser esclarecido
Questão levantada | Situação apresentada |
Valor das consultas | Relato de reajuste de R$ 46 para R$ 52, sem confirmação da tabela aplicável |
Reajustes anuais | Promessa de correção inflacionária que, segundo a fonte, não teria sido cumprida |
Pagamentos | Alegações de atrasos, ainda não confirmadas documentalmente |
Alterações no CICENOP | Suposta comunicação sobre retirada de pagamentos |
Saída de profissionais | Relatos de ampliação das atividades médicas em Maringá |
Cardiologia | Alegação de ausência de cardiologistas locais atendendo pela rede, pendente de verificação |
Consequências | Risco de redução da oferta assistencial e aumento das filas |
Fonte: transcrição fornecida ao Portal BSB2. As afirmações dependem de confirmação junto aos órgãos e profissionais envolvidos.
Dez perguntas que a Prefeitura e o CICENOP precisam responder
O Portal BSB2 considera fundamental que a administração pública esclareça:
Qual é o valor atualmente pago por consulta médica especializada, discriminado por especialidade?
Quando ocorreu o último reajuste da tabela e quais critérios foram utilizados?
Houve compromisso de atualização anual dos valores pela inflação?
Existem pagamentos em atraso a médicos e clínicas credenciadas? Em caso positivo, quais valores e períodos?
O CICENOP encaminhou comunicado informando a redução ou retirada de pagamentos? Qual a justificativa?
Quantos médicos especialistas deixaram de atender pelo consórcio nos últimos 24 meses?
Quantos cardiologistas, urologistas e outros especialistas estão atualmente disponíveis para atender pacientes de Cianorte?
Quantos pacientes estão sendo encaminhados para Maringá e outros municípios por indisponibilidade de profissionais locais?
Existe levantamento sobre a diferença entre os valores pagos pelo CICENOP e os praticados em outros consórcios da região?
Qual é o plano da Prefeitura para evitar a perda de profissionais e garantir que as filas de consultas e procedimentos não aumentem?
As respostas devem, preferencialmente, vir acompanhadas de tabelas de remuneração, contratos, histórico de pagamentos, números de atendimentos e relação das especialidades disponíveis.
Saúde pública exige planejamento, não apenas soluções emergenciais
É legítimo que o poder público procure controlar despesas e utilizar os recursos dos contribuintes com responsabilidade.
Entretanto, a busca pela economicidade precisa considerar as consequências concretas das decisões administrativas.
Uma eventual economia obtida pela redução de pagamentos a prestadores pode perder seu sentido se provocar descontinuidade de serviços, deslocamentos desnecessários de pacientes ou dificuldades para conseguir novos especialistas.
Da mesma forma, a discussão não pode ignorar a disponibilidade orçamentária, os valores praticados em outros municípios e as regras dos contratos públicos.
A solução exige equilíbrio entre responsabilidade fiscal e capacidade assistencial.
Não basta economizar no valor da consulta se, ao final, o paciente ficar sem médico.
Conclusão: quem pagará a conta se os especialistas deixarem Cianorte?
A transcrição recebida pelo Portal BSB2 apresenta indícios de insatisfação entre profissionais ligados à assistência especializada e aponta para um problema que precisa ser esclarecido antes de produzir consequências maiores.
Os relatos de remuneração defasada, pagamentos atrasados e possíveis reduções nos valores dos serviços não podem ser tratados como questões exclusivamente administrativas.
Por trás de cada contrato existe um paciente aguardando atendimento.
Por trás de cada especialidade que perde profissionais pode existir uma fila que cresce.
E por trás de cada consulta que deixa de ser oferecida está uma pessoa que depende do sistema público de saúde.
Cianorte precisa conhecer a verdadeira dimensão dessas dificuldades, saber quantos especialistas estão disponíveis e quais providências estão sendo adotadas para garantir a continuidade do atendimento.
A pergunta que fica para o prefeito Marco Franzato, para a Secretaria Municipal de Saúde e para a direção do CICENOP é simples: qual é o plano concreto para impedir que Cianorte perca seus médicos especialistas?
Porque, quando um médico deixa de atender pelo SUS, não é apenas um contrato que pode terminar.
É também o acesso de centenas de pacientes a um serviço essencial que pode ficar comprometido.
A população de Cianorte merece respostas. E, principalmente, merece atendimento.
O portal bsb2.com.br encaminhou ofício para o Presidente do Cicenop - Prefeito Marco Franzato e para a Secretária Municipal de Saúde, estamos no aguarda de suas repostas... veja:
Marcio Nolasco
Analista de Políticas Públicas | Portal BSB2.com.br
Documentos públicos de referência: Portal oficial do CICENOP e Resolução nº 070/2024 — Tabela de valores e procedimentos.

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