Os “desigrejados” no Brasil: milhões de brasileiros mantêm a fé, afastam-se das igrejas e podem transformar a política nacional
NOTA: Este colunista que vos escreve é batizado, fez primeira comunhão, foi crismado e casado na igreja católica, tem uma filha de 34 anos que seguiu o mesmo caminho e uma outra de 16 que esta na mesma direção...
Pesquisa e análise especial e inédita para o Portal BSB2.com.br
Por Marcio Nolasco - Analista de Políticas Públicas - ENAP
Estudos de 2026 revelam que uma parcela expressiva dos evangélicos cristãos já não possui vínculo com instituições religiosas. Menos vinculados às orientações de lideranças e, em média, menos conservadores em questões morais, esses brasileiros representam um fenômeno social e eleitoral que merece atenção.
Com uma investigação em seis episódios sobre a transformação religiosa brasileira e suas possíveis consequências para a democracia e as próximas eleições. O Portal bsb2.com.br vem com uma série investigativa ESPECIAL e INÉDITA para todo o Brasil.
FÉ SEM TEMPLO
Os desigrejados e o novo mapa político do Brasil

Uma investigação em seis episódios sobre a transformação religiosa brasileira e suas possíveis consequências para a democracia e as próximas eleições.
A série será organizada em SEIS EPISÓDIOS independentes, com continuidade editorial entre eles. Cada episódio terá um título impactante, subtítulo, análise fundamentada, conclusão e apresentação do tema seguinte.

EPISÓDIO 1
MILHÕES CREEM EM DEUS, MAS JÁ NÃO SEGUEM UMA IGREJA: QUEM SÃO OS DESIGREJADOS QUE ESTÃO MUDANDO O BRASIL?

Série especial FÉ SEM TEMPLO — Episódio I
Uma transformação silenciosa desafia a ideia de que acreditar em Deus significa necessariamente pertencer a uma instituição religiosa. Pesquisas revelam um segmento de brasileiros cuja relação com a fé pode trazer consequências para a sociedade e a política.
Por Marcio Nolasco — Analista de Políticas Públicas | Portal BSB2.com.br
UMA NOVA REALIDADE RELIGIOSA
O Brasil, tradicionalmente conhecido pela força do cristianismo, está experimentando uma transformação que vai muito além da multiplicação de templos evangélicos.
Milhões de brasileiros continuam acreditando em Deus, respeitando os ensinamentos bíblicos e preservando valores cristãos, mas não mantêm vínculos formais com uma igreja.
São os chamados desigrejados.
Esse fenômeno coloca em discussão uma pergunta fundamental: para ser uma pessoa de fé, é obrigatório pertencer a uma instituição religiosa?
Para um segmento crescente e socialmente relevante da população, a resposta parece ser negativa.
O fenômeno não representa necessariamente uma rejeição a Deus ou ao cristianismo. Em muitos casos, representa uma mudança na maneira de exercer a espiritualidade.
OS NÚMEROS REVELAM A DIMENSÃO DO FENÔMENO
Uma pesquisa publicada em agosto de 2026 pelos pesquisadores Victor Araújo, da Universidade de Reading, e Valeria Rainero, da Universidade Goethe de Frankfurt, identificou que os desigrejados correspondem aproximadamente a 18% dos evangélicos e 5% da população adulta brasileira.
O levantamento ouviu 1.514 adultos brasileiros e examinou as diferenças entre evangélicos vinculados formalmente a igrejas e aqueles que mantêm a identidade religiosa sem pertencer a uma congregação.
Outro estudo, realizado pelo Instituto de Estudos da Religião (ISER), com trabalho de campo da Quaest, ouviu 15 mil brasileiros em 412 municípios.
Seus resultados, divulgados em setembro de 2026, apontaram que 3% dos entrevistados se identificavam como evangélicos sem igreja.
A diferença entre os percentuais decorre de pesquisas e classificações distintas, não devendo ser interpretada automaticamente como crescimento ou redução do fenômeno.
O estudo ISER/Quaest também identificou que 14% dos brasileiros entrevistados declararam não possuir religião.
É importante diferenciar os grupos: uma pessoa sem religião pode ou não acreditar em Deus; um desigrejado evangélico, por definição, preserva uma identidade religiosa cristã.
A FÉ CONTINUA VIVA
Um dos resultados mais expressivos da pesquisa acadêmica é que grande parte dos desigrejados continua atribuindo importância à religião.
Essa constatação enfraquece uma interpretação comum: a de que deixar a igreja significa necessariamente abandonar a fé.
Para muitos desses brasileiros, o relacionamento com Deus continua existindo, mas passa a acontecer sem a intermediação permanente de uma instituição.
A Bíblia pode continuar presente. A oração pode permanecer como prática diária.
Mensagens religiosas podem ser acompanhadas pela internet.
O que muda é o vínculo institucional.
UMA TRANSFORMAÇÃO QUE CHEGA À POLÍTICA
Essa mudança também merece atenção dos partidos e candidatos.
Durante décadas, muitos estudos eleitorais destacaram a associação entre identidade evangélica, conservadorismo moral e apoio a determinadas candidaturas.
Os novos resultados mostram que o universo evangélico é mais diverso do que essa classificação sugere.
Os desigrejados não formam um movimento político homogêneo. Podem votar na direita, na esquerda ou no centro.
Entretanto, sua menor vinculação institucional pode tornar menos previsível o comportamento político de parte dos brasileiros identificados como evangélicos.
A religião continua importante, mas a escolha eleitoral não pode ser presumida a partir do pertencimento religioso.
CONCLUSÃO: UM BRASIL QUE ACREDITA, MAS QUESTIONA
O fenômeno dos desigrejados revela uma sociedade em transformação.
Não estamos necessariamente diante de milhões de brasileiros que perderam a fé.
Estamos diante de brasileiros que encontram outras formas de vivê-la.
A consequência é profunda: instituições que durante décadas funcionaram como referências comunitárias e culturais passaram a conviver com experiências religiosas mais individuais e flexíveis.
O impacto dessa mudança na política ainda exige novos estudos.
Mas uma coisa já está evidente: compreender o Brasil de hoje exige olhar também para aqueles que continuam acreditando em Deus, mesmo fora dos templos.
NO PRÓXIMO EPISÓDIO:
Por que brasileiros que cresceram nas igrejas estão se afastando delas?
O que a ciência permite afirmar sobre esse distanciamento?
Fontes: Araújo e Rainero (2026), Believing without Bonding; ISER/Quaest (2026), Religião e Vida Pública no Brasil; IBGE, Censo 2022.
Publicidade:


.png)



.png)






Comentários