O Deus que governa todas as estações
Uma reflexão sobre a beleza da criação e a fidelidade do Criador
Christina Faggion Vinholo
Teóloga | Especialista em Antigo e Novo Testamento.
Hoje, enquanto dirigia para buscar meu neto na escola, percebi como a rotina pode nos tornar distraídos diante da beleza que nos cerca. Percorremos os mesmos caminhos, contemplamos as mesmas paisagens e, muitas vezes, deixamos de enxergar aquilo que está diante dos nossos olhos.

Mas hoje foi diferente.
Por alguma razão, comecei a observar as árvores. Estamos no outono, aqui no hemisfério norte, e a paisagem parece ter sido cuidadosamente pintada pelas mãos de um artista. Tons de vermelho, laranja e amarelo se misturam ao verde que ainda resiste. Cada árvore parece apresentar sua própria beleza, compondo uma paisagem extraordinária.
E, enquanto contemplava tudo isso, comecei a pensar na grandeza de Deus.
Daqui a algumas semanas, aquelas árvores estarão praticamente despidas. As folhas cairão, os galhos ficarão expostos e a paisagem perderá as cores vibrantes que hoje tanto me encantam. Depois virá o inverno. A neve cobrirá os jardins, os caminhos e os telhados. O verde dará lugar ao branco, e aquilo que hoje transborda em cores parecerá silencioso e adormecido.
Meu jardim também passará por essa transformação. As hortênsias que tanto admiro desaparecerão sob o rigor da estação. As árvores perderão suas folhas, e o quintal, antes tão verde e cheio de vida, ficará coberto de neve.
Mas a vida não terá desaparecido.
Ela continuará ali, mesmo quando meus olhos não puderem percebê-la.
Então chegará a primavera. A neve derreterá, os primeiros brotos surgirão, as árvores voltarão a florescer e minhas hortênsias, no tempo determinado por Deus, novamente encherão o jardim de beleza.
E tudo isso me levou a uma reflexão ainda mais profunda: que Deus extraordinário é esse que governa todas as coisas com tamanha sabedoria, precisão e delicadeza!
Nada acontece por acaso. As estações não se sucedem por uma vontade independente da criação. A ordem natural, com suas leis e seus ciclos, permanece debaixo do governo daquele que criou todas as coisas e continua sustentando-as pela palavra do seu poder.
A Escritura nos lembra, em Gênesis 8:22, que, enquanto durar a terra, haverá semeadura e colheita, frio e calor, verão e inverno, dia e noite.
Não se trata apenas da regularidade da natureza. Trata-se da fidelidade do Criador.
O mesmo Deus que estabeleceu as estações também sustenta os animais que se preparam para o frio, preserva a vida que repousa sob a terra congelada e determina o momento em que uma simples flor voltará a desabrochar.
E esse mesmo Deus governa a minha vida.
Pensei, então, em como nossa existência também é marcada por estações.
Há períodos de florescimento, quando tudo parece bonito, abundante e cheio de possibilidades. Há tempos de colheita, em que contemplamos, com gratidão, os frutos daquilo que foi semeado. Mas também há invernos. Dias silenciosos, perdas dolorosas, esperas prolongadas e circunstâncias nas quais não conseguimos enxergar aquilo que Deus está realizando.
A experiência me ensinou que nem sempre compreendemos os caminhos da providência. E a fé não exige que compreendamos tudo. Ela nos conduz a descansar naquele que conhece o princípio, o meio e o fim.
O inverno não representa a ausência de Deus, assim como a primavera não significa que Ele tenha acabado de chegar.
Ele está presente em todas as estações.
Sua soberania não diminui quando perdemos aquilo que amamos. Sua fidelidade não desaparece quando nossos planos são interrompidos. Sua bondade não depende das circunstâncias serem favoráveis aos nossos desejos.
Não significa que toda dor terminará rapidamente, nem que todas as perdas serão reparadas nesta vida. Nossa esperança cristã é muito maior do que a expectativa de dias melhores nesta terra. Ela está firmada em Jesus Cristo, por meio de quem fomos reconciliados com Deus e em quem temos a promessa de uma criação plenamente restaurada.
Aquele por meio de quem todas as coisas foram criadas é também aquele em quem todas elas subsistem, conforme nos ensina Colossenses 1:16-17.
E, enquanto essa verdade ocupava meus pensamentos, também me lembrei de que, em breve, estarei brincando com meus netos na neve. As brincadeiras serão diferentes, as roupas serão mais pesadas, os dias serão mais curtos. Haverá risadas, pequenos acontecimentos e memórias sendo construídas. E, certamente, algumas quedas minhas na neve que não aparecerão nas fotografias!
Porque a vida continua acontecendo em todas as estações. E cada uma delas traz oportunidades singulares de reconhecer a bondade de Deus, servir àqueles que amamos e agradecer pelos cuidados que recebemos.
Quando finalmente chegar a primavera, encontrarei novamente meu jardim florido. Mas sei que não terei diante de mim apenas o resultado de um ciclo natural. Estarei contemplando mais uma manifestação da fidelidade daquele que jamais deixa de sustentar sua criação.
Hoje, uma simples viagem para buscar meu neto se transformou em um convite à adoração.
Não ouvi uma voz do céu. Não presenciei nenhum acontecimento extraordinário. Apenas observei algumas árvores no outono.
E, por meio da beleza daquilo que Ele criou, meu coração foi levado a glorificar o Criador.
Talvez estejamos tão ocupados procurando grandes manifestações de Deus que nos esquecemos de contemplar sua grandeza nas coisas aparentemente pequenas.
O Salmo 104 nos apresenta um Deus que governa as águas, alimenta os animais, faz crescer a vegetação e estabelece os tempos. Toda a criação depende continuamente de sua generosa providência.
E eu também dependo.
Por isso, quando as folhas começarem a cair e o inverno se aproximar, quero me lembrar de uma verdade que ultrapassa todas as mudanças da natureza e todas as circunstâncias da minha existência:
As estações mudam. A paisagem se transforma. Nossa vida atravessa alegrias e tristezas. Mas o Deus que governa todas as coisas permanece eternamente o mesmo.
E porque Cristo reina, posso contemplar o futuro com esperança, mesmo sem conhecer os caminhos pelos quais Ele me conduzirá.
O Cordeiro reina. Na primavera, no verão, no outono e no inverno.
E continuará reinando quando todas as estações deste mundo tiverem passado.
Instagram: @chrisvinholo
E-mail: chrisvinholo@gmail.com

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