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FLÁVIO BOLSONARO DEIXA O BRASIL RUMO AOS EUA, SEGUNDO ALIADOS, APÓS DERROTA ELEITORAL E ORDEM DO STF

há 9 horas
4 min de leitura

Senador teria embarcado para a Flórida nesta terça-feira (27), horas depois de deixar de entregar seus passaportes à Polícia Federal. A viagem é relatada por pessoas próximas à família Bolsonaro, enquanto autoridades buscam esclarecer as circunstâncias da saída do país.


Por Sinval Chamblas | — Portal BSB2

27 de outubro de 2026


O Brasil acompanha nesta terça-feira (27) um novo e delicado capítulo da crise política que se seguiu à eleição presidencial. Derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno de domingo (25), o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) teria deixado o território brasileiro com destino aos Estados Unidos, justamente quando deveria cumprir uma determinação do Supremo Tribunal Federal que o proibia de viajar ao exterior.


A informação foi divulgada às 13h41 pelo portal Metrópoles, com base em relatos de pessoas próximas à família Bolsonaro. Segundo a reportagem, a aeronave já estava em voo e teria como destino final o estado norte-americano da Flórida. Até aquele momento, a confirmação da viagem vinha de fontes ligadas ao senador, não de um comunicado oficial das autoridades migratórias.


A sucessão dos acontecimentos desperta questionamentos que ultrapassam o resultado eleitoral: quando uma ordem judicial impede a saída do país, o que acontece se o investigado viaja sem autorização?



DA DERROTA NAS URNAS AO DESTINO INCERTO


O intervalo entre o segundo turno presidencial e as notícias sobre a viagem foi de apenas dois dias.


Na segunda-feira (26), o ministro Alexandre de Moraes determinou que Flávio Bolsonaro entregasse seus passaportes à Polícia Federal e ficasse proibido de sair do Brasil. A decisão foi tomada no âmbito de uma investigação no STF que também envolve o advogado Willer Tomaz.


Na terça-feira (27), o prazo para apresentação dos documentos terminou sem que a entrega fosse confirmada pelas autoridades. A Polícia Federal passou a verificar informações sobre uma possível saída do senador pela Argentina.


A ÚLTIMA MENSAGEM: "ESFRIANDO A CABEÇA"


Outro episódio chamou a atenção dos aliados políticos.


Segundo o Metrópoles, a última mensagem conhecida de Flávio Bolsonaro foi enviada por volta das 8h desta terça-feira ao senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador de sua campanha presidencial.


Na comunicação, Flávio teria informado que estava "esfriando a cabeça", sem esclarecer se havia deixado o território brasileiro.


Marinho havia negado, mais cedo, as notícias de que Flávio estivesse fora do país. Horas depois, o Metrópoles publicou a informação de que pessoas próximas à família confirmavam a viagem aos Estados Unidos.



A sequência de informações conflitantes mostra que ainda existem aspectos essenciais a esclarecer, especialmente o horário, a rota e as condições do deslocamento.


INVESTIGAÇÃO POR SUPOSTA LAVAGEM DE DINHEIRO ESTÁ NO CENTRO DA CRISE


A determinação do ministro Alexandre de Moraes está relacionada a uma investigação que envolve Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz.


O procedimento apura suspeitas de lavagem de dinheiro. Willer também é investigado por movimentações financeiras relacionadas a negócios no setor de apostas.


A existência de uma investigação, entretanto, não equivale a uma condenação. Flávio Bolsonaro nega irregularidades e, antes das notícias sobre a viagem, havia classificado as medidas judiciais como uma tentativa de intimidação.

Agência Brasil+1


Em manifestação divulgada na segunda-feira, o parlamentar afirmou que não pretendia deixar o Brasil e que entregaria os passaportes.


A notícia de sua possível saída do país no dia seguinte coloca essas declarações diante de uma circunstância que exige esclarecimentos.


O QUE A JUSTIÇA PODERÁ FAZER AGORA?


Caso seja oficialmente comprovado que Flávio Bolsonaro deixou o Brasil após tomar conhecimento da proibição judicial, caberá ao Supremo Tribunal Federal avaliar as consequências.


O eventual descumprimento poderá motivar novas providências processuais, inclusive medidas cautelares mais rigorosas, desde que observados os requisitos legais.


Há, porém, uma diferença fundamental entre uma viagem noticiada pela imprensa e a comprovação judicial de uma violação deliberada de ordem do STF.


É necessário estabelecer quando o senador deixou o país, qual trajeto utilizou, se houve autorização judicial e quais circunstâncias estão documentadas.


A Justiça precisa agir com base em provas, não em especulações. Da mesma forma, determinações judiciais regularmente expedidas não podem ser tratadas como facultativas.


A QUESTÃO QUE SE IMPÕE AO BRASIL


O episódio reúne três circunstâncias extraordinárias: uma eleição presidencial recém-encerrada, uma investigação envolvendo o candidato derrotado e uma determinação judicial que restringe sua liberdade de deixar o território nacional.


A proximidade desses acontecimentos amplia a repercussão institucional do caso.


De um lado, a defesa de Flávio Bolsonaro questiona a legitimidade das medidas adotadas. De outro, cabe às autoridades responsáveis demonstrar os fundamentos legais de suas decisões e garantir seu cumprimento.


Em qualquer democracia, a independência do Poder Judiciário, a presunção de inocência, o direito de defesa e o respeito às decisões judiciais precisam coexistir.

O debate não deve ser reduzido a uma disputa entre apoiadores de Lula e de Bolsonaro.


A pergunta central não é quem venceu ou perdeu a eleição, mas se as instituições brasileiras conseguirão esclarecer os acontecimentos e aplicar a lei com segurança jurídica e igualdade de tratamento.


CONCLUSÃO — O AVIÃO PODE CRUZAR FRONTEIRAS. AS PERGUNTAS PERMANECEM NO BRASIL.


A notícia de que Flávio Bolsonaro estaria a caminho dos Estados Unidos abre um novo capítulo político e jurídico no país.


Se confirmada oficialmente a viagem, será indispensável esclarecer como ela ocorreu diante da proibição de deixar o território nacional e quais consequências poderão decorrer desse fato.


O senador tem direito à defesa e à presunção de inocência. A sociedade, por sua vez, tem direito à informação, à transparência e ao esclarecimento das circunstâncias envolvendo um representante eleito.


O destino da aeronave pode ser a Flórida. O destino jurídico e político desse episódio, entretanto, ainda está nas mãos das instituições brasileiras.


Fontes e atualização: Reportagens do Metrópoles publicadas em 27/10/2026, informações da Agência Brasil sobre a decisão judicial de 26/10/2026 e apurações da imprensa sobre a não entrega dos passaportes. Texto elaborado com informações disponíveis até aproximadamente 14h30 de 27/10/2026. A confirmação oficial da rota e da chegada aos Estados Unidos ainda estava pendente.


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