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DERROTA HISTÓRICA NA CÂMARA DE CIANORTE: FRANZATO SOFRE REVÉS POR 10 A 0 E VÊ SUA BASE POLÍTICA DAR SINAIS DE RUPTURA

há 7 horas
6 min de leitura

Nem mesmo vereadores ligados à base governista sustentaram o veto do prefeito no caso CAPSECI. A votação unânime expõe o enfraquecimento da articulação do Executivo, fortalece a independência do Legislativo e acende um alerta para os últimos dois anos da gestão municipal.


Por Marcio Nolasco — Analista de Políticas Públicas (ENAP) | Portal BSB2.com.br


QUANDO ATÉ OS ALIADOS VOTAM CONTRA, O PROBLEMA DEIXA DE SER APENAS LEGISLATIVO E PASSA A SER POLÍTICO


O prefeito de Cianorte, Marco Franzato, acaba de sofrer uma derrota política expressiva na Câmara Municipal. E não foi uma derrota qualquer.


Dez vereadores votaram contra o Veto nº 0002/2026, apresentado pelo Executivo. Nenhum parlamentar votou a favor do prefeito.


O resultado foi contundente: 10 a 0 contra o veto de Franzato.


A imagem do painel eletrônico da Câmara, encaminhada ao Portal BSB2, registra a rejeição unânime entre os dez parlamentares votantes, sem abstenções e sem ausências. O presidente da Casa, Victor Hugo Davanço, aparece identificado na condição de presidente, sem voto registrado.


O episódio ultrapassa os limites de uma divergência sobre a legislação da CAPSECI. Representa um sinal político importante: vereadores que integram ou já integraram a sustentação do governo municipal não acompanharam a posição defendida pelo chefe do Executivo.


Em política, perder uma votação faz parte da democracia. Perder por unanimidade, sem conseguir sequer um voto favorável, é um sinal de alerta sobre a capacidade de articulação do governo.


E esse sinal chega em um momento especialmente delicado para Marco Franzato.


BSB2 JÁ HAVIA ALERTADO: A PALAVRA FINAL SERIA DA CÂMARA


Em 14 de outubro, o Portal BSB2 publicou a reportagem especial Veto na CAPSECI: Só a Câmara tem a palavra final.


Naquela ocasião, mostramos que o prefeito havia vetado a Emenda Modificativa nº 0055/2026, vinculada ao Projeto de Lei do Executivo nº 071/2026.


A emenda, aprovada anteriormente pelos vereadores, estabelecia critérios para que o cargo de superintendente da Caixa de Aposentadoria e Pensões dos Servidores Públicos de Cianorte (CAPSECI) fosse ocupado por servidor efetivo, ativo ou aposentado, observados os demais requisitos legais.


O prefeito decidiu vetar a alteração.


A Câmara, entretanto, manteve sua posição e rejeitou o veto.


O que antes era uma possibilidade política tornou-se um resultado concreto, documentado pelo painel eletrônico da votação.


OS DEZ VEREADORES QUE DERROTARAM O VETO DO PREFEITO

10

Contrários ao veto


0

Favoráveis ao veto


Veto nº 0002/2026 — resultado da votação

100% dos votos registrados foram contrários ao veto.

Vereador

Voto

Afonso Lima

Contrário

Beto Nabhan

Contrário

Coronel Elias

Contrário

Jorge Garcia

Contrário

Marisa Franco

Contrário

Professora Kelly

Contrário

Robson Fagundes

Contrário

Rodrigo Rezende

Contrário

Thiago Fontes

Contrário

Wanderley da Avenorte

Contrário

Fonte: painel de votação da Câmara Municipal de Cianorte, reproduzido na imagem encaminhada ao BSB2. Presidente Victor Hugo Davanço: sem voto registrado.


O QUE ESTÁ ACONTECENDO COM A BASE POLÍTICA DE MARCO FRANZATO?


A grande questão agora não é apenas compreender por que os vereadores rejeitaram o veto.


A pergunta politicamente mais relevante é outra:


Como um prefeito chega ao ponto de não conseguir um único voto favorável em uma decisão que ele próprio encaminhou ao Legislativo?


A resposta exige observar o cenário político de Cianorte.


Há poucos dias, o BSB2 publicou uma análise sobre o possível esvaziamento da base governista na Câmara Municipal. Informações recebidas dos bastidores apontavam para um distanciamento progressivo entre vereadores e o Executivo, com a possibilidade de Franzato terminar o mandato contando com apenas três parlamentares politicamente alinhados.


A projeção ainda não representa uma composição formalmente confirmada. Entretanto, o resultado da votação da CAPSECI acrescenta um elemento concreto àquela análise: quando houve uma divergência importante, o prefeito não conseguiu preservar apoio nem mesmo de parlamentares historicamente próximos de sua administração.


É preciso fazer uma distinção: votar contra um veto não significa, automaticamente, romper com o governo. Um vereador pode continuar integrando a base e discordar de uma matéria específica.


Mas a unanimidade contrária ao Executivo demonstra que, pelo menos nesse episódio, a orientação ou a posição política do prefeito não prevaleceu entre os parlamentares.


Se a mesma postura se repetir nas próximas votações, Franzato poderá enfrentar uma Câmara cada vez mais independente e menos previsível para seus interesses políticos.


O PREFEITO ESTÁ PERDENDO SUA CAPACIDADE DE LIDERANÇA?


Uma administração municipal precisa de diálogo institucional, capacidade de negociação e articulação política para encaminhar suas propostas.


Isso não significa exigir submissão dos vereadores. A Câmara possui autonomia constitucional e não deve funcionar como extensão do gabinete do prefeito.


Entretanto, quando o Executivo apresenta uma posição formal e não conquista nenhum voto para sustentá-la, torna-se legítimo questionar a eficiência de sua interlocução política.


O episódio da CAPSECI sugere três possíveis problemas para Franzato.


Primeiro, sua capacidade de convencimento pode estar diminuindo, especialmente diante de matérias que envolvem interesses dos servidores públicos.


Segundo, vereadores antes identificados com a administração podem estar assumindo posições de maior independência.


Terceiro, os parlamentares parecem dispostos a defender decisões anteriormente aprovadas pela Câmara, mesmo diante da discordância do prefeito.


O resultado também pode refletir uma avaliação de mérito da própria emenda.


Portanto, a dimensão política da derrota não elimina a possibilidade de os vereadores terem votado principalmente por convicção sobre o tema previdenciário.


UM PREFEITO PRESSIONADO PELAS URNAS E AGORA PELO LEGISLATIVO


A votação acontece após um período de desgaste político para o governo municipal.


O resultado das eleições de 2026 já havia provocado questionamentos sobre a força eleitoral do grupo de Franzato e sua capacidade de transferir apoio aos candidatos que defendia.


Agora surge outro elemento: a demonstração de independência da Câmara Municipal.


São acontecimentos distintos, que não devem ser confundidos. Uma derrota eleitoral de aliados não equivale a uma rejeição direta da administração municipal, assim como uma votação legislativa isolada não determina o fim de uma base governista.


Contudo, quando esses fatores se acumulam, o cenário político merece atenção.


Um prefeito pode preservar sua autoridade administrativa até o último dia de mandato, mas sua influência política depende de algo que não se impõe por decreto: confiança e capacidade de construir maiorias.


E, na votação da CAPSECI, essa maioria esteve inteiramente do outro lado.


2027 E 2028 PODEM SER OS ANOS MAIS DIFÍCEIS DA GESTÃO FRANZATO


Com pouco mais de dois anos restantes de mandato, o prefeito terá de enfrentar decisões importantes sobre orçamento, investimentos, serviços públicos e a própria sucessão municipal.


Uma eventual perda de sustentação estável na Câmara poderá tornar esse processo mais complexo.


Projetos que antes encontravam apoio com facilidade poderão exigir negociações individuais. Secretários municipais poderão ser chamados a prestar esclarecimentos com mais frequência. A cobrança por resultados poderá se intensificar.


E a perspectiva de sucessão em 2028 tende a influenciar o posicionamento dos grupos políticos.


Parlamentares começarão a avaliar não apenas o relacionamento atual com o prefeito, mas também os caminhos possíveis para o próximo ciclo eleitoral.


Não é possível afirmar que uma ruptura definitiva esteja consumada.


O que já se pode afirmar é que Marco Franzato sofreu uma derrota legislativa unânime, com evidente repercussão sobre sua imagem de liderança política.

A questão agora é saber se o episódio será uma exceção ou o início de um padrão de derrotas.


A CAPSECI GANHA UMA NOVA ETAPA — E O EXECUTIVO PERDE A DISPUTA DO VETO


Para os servidores públicos municipais, a rejeição do veto representa uma etapa importante no debate sobre os critérios de ocupação da superintendência da CAPSECI.


A discussão envolve a administração de uma instituição responsável por direitos previdenciários e recursos de grande relevância para o funcionalismo municipal.


Com a rejeição do veto, o procedimento legislativo deve seguir as regras de promulgação previstas no Regimento Interno da Câmara.


Para os vereadores, a votação demonstra coerência com a decisão anteriormente tomada sobre a emenda.


Para o prefeito, fica uma derrota política que exige reflexão.


CONCLUSÃO — A DERROTA MAIS PREOCUPANTE NÃO É PERDER UM VETO, É PERDER A CONFIANÇA DOS ALIADOS


Marco Franzato continua sendo o prefeito de Cianorte. Possui as competências administrativas próprias do Executivo, legitimidade decorrente das urnas e tempo para reconstruir relações políticas.


Mas nenhuma dessas condições garante maioria automática na Câmara.


O resultado de 10 a 0 deve servir como alerta.


A política é construída com diálogo, respeito institucional, capacidade de negociação e confiança. Quando esses elementos se enfraquecem, a influência de um governo pode diminuir antes mesmo do encerramento de seu mandato.


O prefeito precisa avaliar por que sua posição não encontrou respaldo entre os dez vereadores votantes.


A Câmara, por sua vez, terá a responsabilidade de demonstrar que sua independência não se limita a um episódio, mas está comprometida com o interesse público, a fiscalização e a qualidade das decisões legislativas.


A votação da CAPSECI não comprova o rompimento definitivo da base de Franzato. Mas demonstra, de forma inequívoca, que o prefeito já não pode presumir apoio parlamentar em todas as suas decisões.


E essa mudança pode representar um dos acontecimentos políticos mais relevantes de Cianorte neste final de 2026.


Resta uma pergunta que certamente circulará pelos corredores da Prefeitura e da Câmara Municipal:


Se o prefeito não conseguiu convencer sequer um vereador a sustentar seu veto, como pretende reconstruir a maioria necessária para conduzir politicamente os dois últimos anos de sua administração?


O painel eletrônico registrou dez votos contrários ao veto.


O futuro dirá se registrou também o início de uma nova correlação de forças na política de Cianorte.


Marcio Nolasco

Analista de Políticas Públicas — ENAPPortal BSB2.com.br — Jornalismo, Análise e Informação


Nota editorial: A análise política se baseia no resultado da votação apresentado no painel eletrônico, no histórico legislativo divulgado pelo BSB2 e nas informações de bastidores anteriormente relatadas. A rejeição do veto é fato documentado; a hipótese de perda definitiva da base governista permanece uma interpretação política, dependente de novos acontecimentos e manifestações dos envolvidos.

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