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CIANORTE 2053 NÃO EXISTE A NÃO SER NO PAPEL, É FANTASIA!

11 de set.
10 min de leitura

Atualizado: 11 de set.

ARTIGO DE OPINIÃO | Marcio Nolasco


Projetar uma cidade para 2053 pode parecer grandioso. Mas, quando o presente ainda convive com problemas básicos de planejamento, manutenção, saúde, infraestrutura e gestão, a pergunta inevitável é: estamos construindo o futuro ou apenas desenhando uma fantasia no papel - mostrar esse projeto no papel é uma realidade que foge do que teremos de realidade CONCRETA no dia de amanhã, dia que NINGUÉM pode prever os acontecimentos, ou todos são Deuses e Videntes agora...


Com todo o respeito que tenho pelo prefeito Marco Franzato, é preciso separar planejamento de propaganda política. E se eu estiver vivo em 2053, poderei ver como estará Cianorte lá...



Falar constantemente em uma Cianorte projetada para 2053 pode produzir uma narrativa bonita, moderna e politicamente conveniente. Afinal, quem não gostaria de imaginar uma cidade perfeita daqui a 27 anos?


Um fato que será real no futuro e GARANTIDO nesse projeto Cianorte 2053, é que ele terá no mínimo de 5 a 6 mudanças de ESCOPO, cada uma delas feita pelos próximos 5 ou 6 prefeitos que entrarem na Casa de Vidro como gestores, isso se nenhum deles resolver engavetar de uma vez esse projeto, que já nasceu sobre a sombra de uma administração que tem muitas promessas só no papel na atualidade, veremos a seguir...


O problema não é pensar no futuro, o prefeito tem todo o direito...


O problema é vender o futuro como se ele estivesse garantido quando sequer conseguimos resolver adequadamente os problemas do presente.


E existe uma diferença gigantesca entre planejamento estratégico sério e uma promessa de cidade idealizada para daqui a quase três décadas.


2053 ainda está a 27 anos daqui


Estamos em 2026.


Até 2053 faltam aproximadamente 27 anos.


Mas, se considerarmos o início da atual gestão municipal, em 2021, estamos falando de uma janela de aproximadamente 32 anos entre o início desta gestão e o horizonte anunciado.


Três décadas, em política pública, não são uma eternidade.


São uma sucessão de governos.


Serão outros prefeitos.


Outras câmaras municipais.


Outras prioridades.


Outras crises.


Outros interesses políticos.


Outras gerações.


É perfeitamente razoável imaginar que, nesse período, Cianorte poderá ter pelo menos cinco ou mais administrações municipais depois da atual, cada uma com seus próprios projetos, suas próprias prioridades e, evidentemente, seus próprios grupos políticos.


E é justamente aí que começa o problema.


Quem garante que o próximo prefeito continuará tudo?


Ninguém!!


Exemplo disso é que Marco Franzato não continuou o que foi deixado por Bongiorno! e outros também não vão continuar... é eco, é política, é mostra de poder, assim como Franzato fez e faz... é o normal das gestões municipais.


E essa é uma das grandes fragilidades de qualquer projeto municipal de prazo extremamente longo. É só marketing político e rotulação de bom própria de bom gestor...


Um prefeito pode anunciar hoje uma determinada visão de cidade.


O próximo pode concordar.


O seguinte pode discordar.


Outro pode alterar.


Outro pode simplesmente abandonar.


Isso é democracia.


É normal que governos mudem políticas públicas, revejam prioridades, alterem programas, modifiquem legislações, proponham alterações no Plano Diretor e redefinam investimentos de acordo com a realidade econômica e política daquele momento. Isso aconteceu na gestão Franzato e vai ainda acontecer nos próximos longínquos anos de existência de Cianorte, uma eternidade...


E a própria história recente demonstra isso.


A atual gestão também alterou políticas, prioridades, projetos e dispositivos administrativos que vieram de governos anteriores.


Isso não é necessariamente ilegal.


Nem necessariamente errado.


É a própria dinâmica da administração pública.


Então surge uma pergunta inevitável:


Como alguém pode afirmar com tanta segurança como será Cianorte em 2053?


Não pode.


Pode planejar.


Pode projetar cenários.


Pode estabelecer metas.


Pode construir mecanismos de continuidade.


Mas não pode tratar o futuro como se fosse um contrato assinado com a história.


O mundo de 2053 não será o mundo de 2026


Há algo que nenhum projeto municipal consegue controlar:


O mundo a geopolítica.


Cianorte não existe isoladamente.


Nossa cidade depende da economia brasileira.


O Paraná depende da economia nacional.


O Brasil depende do cenário internacional.


E todos dependemos, direta ou indiretamente, da geopolítica.


Em 27 anos poderemos enfrentar novas crises econômicas.


Novas recessões.


Novas guerras.


Mudanças comerciais.


Transformações tecnológicas.


Mudanças climáticas.


Crises sanitárias.


E por que não uma nova pandemia?


Quem pode afirmar que isso jamais acontecerá novamente?


Ninguém.


Quem pode afirmar como estará a economia brasileira em 2035?


Ninguém.


Quem consegue prever com segurança a tecnologia de 2045?


Ninguém.


Quem sabe quais serão as relações econômicas e geopolíticas mundiais em 2053?


Ninguém.


Portanto, o planejamento sério não deveria vender certezas.


Deveria trabalhar com cenários, riscos, probabilidades e capacidade de adaptação.


Essa é a diferença entre planejamento estratégico e pura propaganda política.


Porque falar em 2053 é fácil, e o momento atual como fica?


Difícil é resolver 2026! O agora...


É muito mais fácil apresentar uma cidade futurista daqui a 27 anos do que responder por problemas que existem agora.


E é aqui que a discussão precisa voltar para Cianorte, hoje.


Porque enquanto se desenha a cidade de 2053, ainda existem problemas concretos no presente de 2026 que precisam de respostas concretas.


Estamos falando de obras com cronogramas que sofrem sucessivos adiamentos, como ocorre com a expectativa em torno do Hospital Irmã Benigna, prometido em! 2024 para 15 meses com todo coração e alegria na alma e estamos em 2026 e sem expectativas concretas de funcionamento, pode seguir os passos do AME.


Promessa em 2024 de 15 meses para entrega do Hospital - Imaginem as promessas para 2053!

Estamos falando de estruturas que são apresentadas como grandes investimentos, mas que precisam ser acompanhadas por planejamento operacional, equipamentos, manutenção e funcionamento efetivo como o AME que se inaugurou só as paredes...


Estamos falando de saúde pública e de filas que continuam sendo uma preocupação da população.


Estamos falando de nossa dependência de outros municípios para determinados atendimentos especializados e cirurgias.


Estamos falando de infraestrutura básica.


Estamos falando de manutenção.


Estamos falando de drenagem das ruas de nossa cidade.


Estamos falando de erosões.


Estamos falando de problemas que deveriam estar no centro da agenda administrativa de hoje.


E quando chove dentro da UBS?


Essa talvez seja uma das imagens mais fortes da contradição.


Uma cidade que sonha com 2053 precisa, antes de tudo, deve conseguir garantir que suas unidades básicas de saúde funcionem adequadamente em 2026.


Porque quando chove dentro de uma UBS, a discussão não é futurista.


É presente.


É manutenção.


É prevenção.


É planejamento.


É dinheiro público.


É patrimônio público.


É dignidade.


E, sobretudo, é responsabilidade administrativa.


Não adianta apresentar uma cidade futurista em uma apresentação cheia de gráficos e projeções enquanto a população ainda enfrenta problemas básicos e primários de manutenção em equipamentos e prédios públicos.


E as erosões?


Outro exemplo ainda mais emblemático.


Se um planejamento administrativo previa medidas para enfrentar problemas ambientais e de erosão em determinados prazos, a pergunta é simples:


Erosões promessa para combate até 2023 - estamos em 2026, 3 anos de atraso, imagine 2053?

O que aconteceu?


Foi executado?


Foi parcialmente executado?


Foi adiado?


Mudou o projeto?


Mudou a prioridade? Ficou para 2053 também?


Ou simplesmente ficou no papel?


Porque, quando uma promessa administrativa sai do prazo, a solução não pode ser simplesmente criar um prazo ainda maior.


Senão chegaremos a 2053 discutindo aquilo que deveria ter sido resolvido em 2023 e que estava no papel como planejado e não foi executado... falha! falha total!



Educação também é planejamento


Uma cidade que pensa em 2053 precisa pensar nos estudantes de hoje.


E isso significa transporte escolar funcionando e de qualidade.


Frota recebendo manutenção.


Motoristas suficientes.


Veículos disponíveis.


Planejamento antecipado.


Não é razoável imaginar uma cidade futurista sem conseguir garantir, no presente, o transporte necessário para que o aluno chegue à escola.


Situação de ônibus escolar em operação até este ano de 2026 - Imagine para 2053?

Uma administração pública eficiente não pode trabalhar apenas com discursos para o futuro.


Ela precisa trabalhar NO AGORA também, e com:


manutenção.


prevenção.


controle.


planejamento.


gestão de risco.


Porque administrar não é apenas construir.


É manter.


É prever.


É corrigir.


É acompanhar.


É medir.


É assumir responsabilidade quando algo dá errado hoje!.


A grande pergunta: onde está a análise de risco?


É aqui que o discurso de 2053 precisa ser questionado com seriedade.


Um planejamento para três décadas não pode ser apenas uma coleção de sonhos.


Ele precisa apresentar cenários. Avaliar as possíveis mudanças de escopo...


Cenário econômico.


Cenário fiscal.


Cenário demográfico.


Cenário climático.


Cenário tecnológico.


Cenário sanitário.


Cenário político.


Cenário de infraestrutura.


Cenário de arrecadação.


Cenário de endividamento.


Cenário de capacidade administrativa.


E, principalmente:


o que acontece se tudo der errado?


Esse é o verdadeiro teste de qualquer planejamento.


Não basta perguntar:


“Como queremos que Cianorte seja em 2053?”


É preciso perguntar:


“O que faremos se a realidade for completamente diferente daquilo que estamos imaginando?”


Essa é a pergunta que um verdadeiro planejamento estratégico precisa responder.


Porque 27 anos também significam incerteza


Em 2053, talvez tenhamos prefeitos que sequer entraram na vida pública.


Vereadores que hoje ainda nem chegaram à idade adulta.


Empresários que hoje são crianças.


Tecnologias que atualmente nem existem.


Profissões que hoje nem imaginamos.


Um mundo econômico completamente diferente.


Uma nova estrutura social.


Novos desafios ambientais.


Novas necessidades de saúde.


Novos sistemas de transporte.


Novas formas de trabalhar.


Novos modelos de governo.


Portanto, Cianorte 2053 não deveria ser apresentada como um destino inevitável.


Deveria ser apresentada como um cenário possível, condicionado à capacidade de adaptação das próximas administrações.


Porque o futuro não pertence ao discurso de um prefeito.


Não pertence a um grupo político.


Não pertence a uma Câmara.


O futuro pertence à cidade.


O prefeito não é dono de 2053


Esse é talvez o ponto político mais importante de toda essa discussão.


O prefeito administra um mandato.


A cidade pertence à população.


Um governo pode iniciar um projeto.


Outro pode aperfeiçoá-lo.


Outro pode substituí-lo.


Outro pode encerrá-lo.


Outro pode retomá-lo.


E isso faz parte da democracia.


Por isso, qualquer grande planejamento de longo prazo deveria estar acima dos interesses eleitorais imediatos.


Deveria ser construído com participação popular, universidades, setor produtivo, servidores, especialistas, sociedade civil organizada e representantes políticos de diferentes correntes.


Deveria possuir indicadores públicos diários e evolutivos.


Metas mensuráveis.


Prazos realistas.


Revisões periódicas.


Mecanismos de transparência.


E, principalmente, capacidade de sobrevivência às mudanças de governos, nas esferas nacional, estadual e municipal. Em 2027 por exemplo o projeto de 2053 de Cianorte já pode sofrer uma grande parada se o candidato vencedor ao Governo do Estado não for o favorito do prefeito, pense nisso AGORA e não para 2053.


Caso contrário, não será um projeto de cidade.


Será apenas o projeto de um governo.


A cidade real é diferente da cidade apresentada no papel


Existe uma Cianorte projetada.


E existe a Cianorte real.


A Cianorte projetada pode ter grandes avenidas, saúde eficiente, mobilidade moderna, infraestrutura de primeiro mundo, desenvolvimento econômico e qualidade de vida exemplar.


A Cianorte real precisa lidar, hoje, com filas, manutenção, erosões, transporte, saúde, infraestrutura e problemas cotidianos que não podem esperar 2053.


E é justamente essa Cianorte real que precisa de respostas.


Porque o cidadão não vive em 2053.


Ele vive em 2026.


O trabalhador paga imposto em 2026.


O paciente espera atendimento em 2026.


O aluno precisa de transporte em 2026.


O comerciante paga seus impostos em 2026.


O servidor trabalha em 2026.


A família enfrenta seus problemas em 2026.


Nossos filhos devem ir para as escolas em 2026.


Nossa mesa deve ter comida em 2026.


Devemos ter empregos em 2026.


Empresas de PORTE e não redes de lanchonetes deveriam se instalar em Cianorte agora e não em 2053! Quantas empresas de PORTE se instalaram em Cianorte nessa administração que já esta findando? Quais foram elas? Me digam quais? E digam quantas que estavam aqui e fecharam suas portas?


É hoje que a Prefeitura precisa funcionar não em 2053.


O sonho pode existir. A fantasia, não.


Ninguém é contra pensar grande.


Muito pelo contrário.


Cianorte precisa pensar grande.


Precisa planejar.


Precisa projetar.


Precisa discutir seus próximos 10, 20 e 30 anos.


Mas existe uma diferença brutal entre planejamento de futuro e fantasia de futuro.


Planejamento reconhece riscos.


Fantasia ignora riscos.


Planejamento trabalha com cenários.


Fantasia trabalha com certezas.


Planejamento prevê alternativas.


Fantasia pressupõe que tudo dará certo - "Porque esse é nosso jeito de fazer gestão".


Planejamento mede resultados.


Fantasia mede anúncios.


E é exatamente por isso que Cianorte precisa tomar cuidado.


Porque dizer que Cianorte será perfeita em 2053 é fácil.


Difícil é provar que a administração de hoje consegue entregar aquilo que prometeu para ontem.


A metáfora do futebol


Imagine um time de futebol anunciando que será campeão de todos os campeonatos pelos próximos 27 anos.


Bonito, não?


Mas e se o time estiver endividado? Devendo até na padaria...


E se não tiver jogadores suficientes?


E se estiver sem estrutura?


E se o técnico mudar?


E se a diretoria mudar?


E se a regra do campeonato mudar?


E se os adversários se fortalecerem?


E se houver uma crise financeira?


A promessa de 27 títulos continuaria bonita.


Mas não seria planejamento.


Seria apenas uma aposta.


É exatamente assim que precisamos olhar para Cianorte 2053.


Não como uma certeza.


Mas como uma possibilidade.


Uma possibilidade que dependerá de dezenas de variáveis que ninguém controla.


Cianorte precisa de menos propaganda e mais gestão


Talvez o maior desafio de uma cidade não seja imaginar onde quer chegar.


É garantir que tenha condições de chegar lá.


Antes de discutir 2053, precisamos discutir 2026.


Antes de prometer 2053, precisamos resolver 2026.


Antes de apresentar uma cidade futurista, precisamos garantir que a cidade de hoje funcione.


Porque uma cidade não se constrói apenas com grandes planos.


Ela é construída todos os dias.


Na UBS.


Na escola.


Na rua.


No transporte.


Na drenagem.


Na saúde.


Na manutenção.


No Meio Ambiente.


Na fiscalização.


Na transparência.


No planejamento.


No orçamento.


Na responsabilidade com cada centavo público.


E, principalmente, na capacidade do poder público de reconhecer que nenhum prefeito controla o futuro.


2053 não é uma obra pronta. É uma pergunta.


Talvez seja esse o grande erro de determinadas narrativas políticas.


Transformar o futuro em propaganda.


2053 não é uma obra pronta.


Não é uma certeza.


Não é uma garantia.


Não é uma fotografia do amanhã.


2053 é uma pergunta.


Que cidade queremos?


Quanto custará?


Quem pagará? Não será esse prefeito atual... pelo contrário ele deixará a cidade em 2028 com dívidas nos Bancos... e de milhões!


Quem administrará?


Quais serão os riscos?


Quais serão as prioridades?


Quais serão as dificuldades?


E principalmente:


teremos capacidade de corrigir o caminho quando a realidade for diferente do planejado?


Essa é a verdadeira discussão.


Porque Cianorte não precisa de uma cidade perfeita apenas no papel.


Cianorte precisa de uma cidade que funcione hoje.


E se não conseguimos resolver aquilo que está diante dos nossos olhos, não adianta colocar a esperança a 27 anos de distância.


O futuro começa no presente.


E o presente precisa funcionar.



Marcio Nolasco – Analista de Políticas Públicas

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