A ridícula intelectualidade petista

Tenho dificuldade de encontrar algum artista ou intelectual petista, com cérebro, que consiga me explicar como uma eleição democrática vencida pela direita pode ser um golpe. E, se a democracia que temos é uma mentira, a ponto de as urnas legitimarem um “golpe”, como dizer que Lula manterá a democracia, se não há democracia a ser mantida?
Se Flávio Bolsonaro pode concorrer, receber votos e ser eleito segundo as regras constitucionais, sua vitória é democrática. Se sua vitória é necessariamente um golpe, então a própria eleição e o governo Lula sob o qual ela ocorre deixam de ser democráticos.
O vale-tudo da intelectualidade petista parece não ter grande afeição pela coerência. Mas a contradição revela uma concepção peculiar de democracia: para o petismo, ela existe apenas quando a esquerda vence.
E por isso Lula pode recorrer ao medo enquanto acusa seus adversários de ameaçarem a democracia. Pode espalhar informação falsa, como fez no episódio de Nossa Senhora Aparecida, e depois posar como combatente das fake news. Pode convocar André Janones, cujo método político dispensa apresentações, para ajudar na campanha digital. Vale tudo. Ou, para lembrar expressão que o próprio Lula já usou em campanha, vale “fazer o diabo” para ganhar uma eleição.
Quando queria chegar ao poder, Lula dizia ao brasileiro para perder o medo. Seu slogan era “sem medo de ser feliz”. Artistas e intelectuais ridicularizavam os medrosos. Décadas de poder petista depois, Lula diz ter consertado o país. Seria de esperar, portanto, que o país consertado fosse o antídoto ao medo. Mas não. Para não passar o bastão, busca convencer o eleitor de que, sem ele, virá a catástrofe. Quer permanecer no poder produzindo exatamente o medo que dizia combater. E os mesmos artistas e intelectuais adestrados que ontem zombavam do medo hoje trabalham para fabricá-lo.
Nada disso é acidental. A esquerda brasileira não trata a democracia como um regime, mas como sua propriedade. Democrático é quem está do seu lado. Quem está do outro precisa provar permanentemente que merece participar do jogo. E só é aceito quando paga o pedágio e passa à esquerda, como fizeram Serra, Fernando Henrique e, mais recentemente, Alckmin.

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