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A direita sem líder?

há 20 horas
4 min de leitura

O exílio voluntário de Flávio Bolsonaro, pressionado pela possibilidade de recrudescimento de suas demandas jurídicas, cria uma situação inédita para a direita brasileira; depois de quase uma década, não há uma liderança do clã Bolsonaro em condições de seguir liderando o grupo, considerando o perfil apenas operacional do agora Senador “catarinense” Carlos Bolsonaro e da inaptidão do Jair Renan, apenas um garoto na carona do prestígio do pai.



A verdade é que Flávio jamais exerceu uma posição proeminente no campo da direita, posto que ascendeu pela indicação do pai, Jair Bolsonaro, no início do processo eleitoral, em decisão controversa porque atropelou diversos nomes, que, naquele momento, exerciam o cargo de governador (Tarcísio Freitas, Ratinho Junior, Romeu Zema, Ronaldo Caiado e Eduardo Leite), todos com mais credenciais, mas sem atender o requisito único adotado pelo ex-presidente; o sobrenome.


Embora as urnas no primeiro turno tenham sinalizado para uma provável maioria da direita no eleitorado brasileiro, foi a rejeição, como é tradição das eleições brasileiras, que definiu o segundo turno, com Flávio cometendo diversas gafes no debate decisivo, na Rede Globo, e potencializando uma virada improvável de Lula, impulsionado pelo seu inesperado Exército, comandado por André Janones, criando um vácuo na direita e provocando diversas reações no jogo político, fatores que analisaremos rapidamente.


Não parece provável que Flávio Bolsonaro, mesmo com a excelente votação de quase 60 milhões de eleitores, sustente à distância influência consistente sobre a oposição brasileira. Suas decisões após as apurações finais foram uma sucessão de erros, como o não reconhecimento da vitória de Lula, terrível para alguém que convive com a acusação de DNA golpista e a saída inesperada para o colo do seu líder americano, deixando caminho aberto para novos nomes da direita.


Tarcísio de Freitas, Michele Bolsonaro e Nicolas Ferreira, provavelmente nesta ordem, são os nomes prioritários para liderar a nova direita, agora sem o rótulo de bolsonaristas, ainda que Michele ostente o sobrenome e o parentesco. São nomes promissores, provavelmente com maior pegada que o candidato derrotado por razões diversas.


Tarcísio, reeleito para o governo de São Paulo, com maioria confortável, pilota o maior estado do país, vitrine suficiente para consolidar sua posição de líder mais forte deste campo, precisando apenas manter uma proximidade confortável com o ex-presidente, cuja liderança deve se mover em direção contrária à do governador paulista. Se tiver disposição, Tarcísio terá legenda, provavelmente o Republicanos, e um consistente apoio, principalmente nas regiões Sul e Sudeste.


Michele Bolsonaro, esposa do ex-presidente, que se manteve razoavelmente à margem da campanha de Flávio, deixando a impressão sutil de que apenas respeitava a indicação de Jair, sem o menor entusiasmo e, como demonstrou algumas vezes, sem aprovar a escolha, tem agora tempo e espaço, no Senado Federal, para se afirmar como uma real hipótese de comandar a direita, reforçada pelo excelente trânsito entre evangélicos e o público feminino. Talvez nem seja o nome destinado ao primeiro posto da chapa de 2030, mas dificilmente haverá um nome mais credenciado que o seu para completar a dobradinha.


Como terceira opção, o deputado recordista de votos Nicolas Ferreira, amparado pelo posto de queridinho das Big Techs que o concederam muito mais visibilidade que qualquer outra celebridade mundial, fato que inclusive acende um sinal de alerta sobre a interferência indevida dos gigantes da tecnologia nas eleições nacionais. Ainda assim, é inquestionável o carisma e liderança que lhe permitiu, também sob a proteção dos amigos americanos, alavancar alguns outros recordistas de votos no estados do Sul e Sudeste.


Nem imaginem a direita sem rumo após as eleições. Se tiver coerência e resistir ao ataque sistemático que o pragmatismo do Centrão deve promover, poderá chegar em 2030 muito competitiva porque larga na frente na imposição de nomes, considerando que, depois de doze anos, as próximas eleições não deverão ter a polarização tradicional, pela ausência de Lula e a provável ausência de um nome do clã Bolsonaro.


Por outro lado, a sucessão na esquerda será ainda mais problemática. Lula não deixa ninguém na sombra de sua liderança, mas agora, pressionado pela idade e pela impossibilidade de nova reeleição, deve passar o bastão, com muitas variáveis em aberto. Parece lógico que qualquer chapa de esquerda exija um nome nordestino, para manter a votação regional e, por conclusão óbvia, composta, em qualquer ordem, com um nome do Sudeste. No primeiro grupo, as estrelas são o cearense Camilo Santana e o piauiense Rafael Fontelles, com o pernambucano João Campos, como reserva de luxo, enquanto no Sul, por ora, as alternativas continuam sendo Haddad e Geraldo Alkimin.


Seria mais indicado que a cabeça de chapa da esquerda seja do Sudeste, todavia as alternativas são precárias, por deficit de carisma eleitoral ou desgaste das urnas, reforçando a expectativa de que a direita, se seguir unida, tende a ser uma adversária ainda mais forte, somando a expressiva aprovação da população, sem a rejeição do sobrenome que mais soma e subtrai nas urnas; Bolsonaro.


Lula IV ainda nem começou, mas os desafios são intensos, em especial a necessidade imperativa de reestabelecer a responsabilidade fiscal como regra básica da gestão e ainda pressionado por uma futura sucessão onde não tem nome natural e enxerga a direita ainda mais sólida.


Não vai ser fácil, mas no Brasil de 2027 não há espaço para erros.

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Priscila
há 15 horas
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